quarta-feira, 10 de abril de 2013

Análise: A Outra Terra (Another Earth, 2011)

Direção: Mike Cahill  
Roteiro: Mike Cahill, Brit Marling 
Elenco: Brit Marling, William Mapother, Meggan Lennon, AJ Diana 
Duração: 92 minutos 
Gênero: Drama / Ficção Científica 
Países: Estados Unidos
Idioma: Inglês 
Resumo: Na noite em que é descoberto um planeta parecido com a Terra, uma jovem estudante cruza o caminho de um músico.


Se existe um filme de baixo orçamento que sabe muito bem como esconder essa característica, esse filme é A Outra Terra. O diretor Mike Cahill - em seu trabalho de estreia em longas metragens - deu declarações revelando que a produção toda custou bem abaixo de 200 mil dólares, mas, mesmo que atingisse esse valor, o filme ainda estaria bem abaixo de qualquer grande produção hollywoodiana - como comparação, Looper - Assassinos do Futuro (Looper, 2012), considerado um sucesso entre os filmes de baixo orçamento de 2012, utilizou um orçamento aproximadamente 150 vezes maior, atingindo 30 milhões de dólares.



Mesmo com o humilde orçamento, o filme conseguiu triunfar naquilo que muitas produções falham: um roteiro brilhante e atuações de alto nível. Brit Marling - que escreveu o roteiro junto com Cahill -, consegue transmitir bem a desolação de Rhoda, jovem brilhante que está prestes a entrar no MIT, mas acaba sendo presa por se envolver em um acidente de carro, matando a mulher e o filho do músico John Burroughs (William Mapother).

Após sair da cadeia, Rhoda tenta retomar sua vida e resolve ir atrás de Burroughs para se desculpar, começando a desenvolver uma relação com ele. Vale ressaltar que na mesma noite do acidente foi descoberto um planeta muito próximo à Terra (e que posteriormente recebe o nome de Terra-2), com estruturas suficientes para suportar o desenvolvimento da vida. Esse acontecimento faz alguns pensarem que o filme enveredará para o lado da ficção científica, mas isso é apenas o pano de fundo para o drama pessoal interessantíssimo que é construído através dos personagens.


A parte visual do filme é lindíssima, e Cahill consegue enquadrar takes lindíssimos. Existem cenas em que Rhoda caminha pela rua em planos que capturam perfeitamente a solidão da personagem, que se comporta de modo a evitar qualquer contato com outras pessoas. A Terra-2, por sua vez, começa o filme como apenas um pontinho de luz e nas partes finais já é gigante, deixando as noites bem mais iluminadas.

Além disso, é curioso perceber que, em algumas cenas, Rhoda se vê perante espelhos ou reflexos dela mesma em diversas superíficies - como as janelas da cozinha de Burroughs e do metrô. Isso parece ter sido propositalmente feito pelo diretor para causar um sentimento de dualidade que ronda a obra, com os personagens questionando o que fariam se encontrassem uma cópia deles na Terra-2 ou até mesmo se existe outra versão deles naquele planeta.


Com muitos diálogos provocantes, que mexem com o íntimo do ser humano, A Outra Terra é um filme que faz muito bem seu papel. Quem espera por uma história mais focada na ficção científica pode acabar um pouco decepcionado, mas quem gosta de um drama muito bem construído decerto não ficará instatisfeito.

0 comentários:

Postar um comentário