sábado, 6 de abril de 2013

Análise: Filhos da Esperança (Children Of Men, 2006)

Direção: Alfonso Cuáron
Roteiro: Alfonso Cuáron, Timothy J. Sexton, David Arata, Mark Fergus, Hawk Ostby
Elenco: Clive Owen, Julianne Moore, Michael Caine, Chitewel Ejiofor, Peter Mullan
Duração: 109 minutos
Gênero: Drama / Ficção Científica
Países: Reino Unido / Estados Unidos
Idioma: Inglês / Alemão / Romeno / Italiano / Espanhol / Árabe
Resumo: Em 2027, com a população mundial drasticamente reduzida devido à infertilidade das mulheres, Theo Faron resolve ajudar uma fugitiva a conseguir documentos e manter-se no país


A ficção científica é um gênero muito difícil de agradar o público. Muitas pessoas entram para assistir a um filme do gênero com certa má vontade, na maioria das vezes por não conseguir aceitar o que está por vir, principalmente quando isso envolve excessivas explosões, pessoas voando pelo cenário e outras coisas que vão além do limite da realidade. Em Filhos da Esperança, no entanto, a história foca no lado humano, deixando de lado os efeitos especiais e utilizando-os (e muito bem) apenas quando necessário.


O filme se passa em 2027 e abre com a notícia da morte do argentino Diego Ricardo, a pessoa mais nova no mundo, com 18 anos. Assim, ficamos sabendo que inexplicavelmente as mulheres não podem mais ter filhos, o que faz com que os seres humanos estejam à beira de sua destruição. Junto a isso, o filme também retrata como o governo britânico trata os estrangeiros, os quais são denominados "fugees" e são colocados em imensas jaulas pelas ruas e são removidos para o acampamento de Bexhill, aliás, algumas propagandas dentro do próprio filme dão a entender que o governo britânico é o único que se mantém firme no planeta. Dentro desse mundo, acompanhamos Theo Faron (Clive Owen), um homem que já se mostra conformado com o destino da raça humana até que é contatado por Julian (Julianne Moore), que pede a ajuda dele para conseguir documentos para transportar uma fugee pelo território inglês. O elenco ainda bons coadjuvantes, como Chitewel Ejiofor e principalmente Michael Caine, que interpreta o hippie Jasper, que mesmo sabendo do inevitável destino, ainda consegue manter o bom humor em todos os momentos..

Na parte técnica, o filme não decepciona em nenhum aspecto. A trilha sonora é muito bem utilizada e quase sempre aparece dentro das próprias cenas, exceto pela música tema do filme e um assovio que é ouvido em grande parte do tempo. A direção de Cuarón é absolutamente irrepreensível, e ele usa e abusa dos planos sequência e com isso consegue construir cenas primorosas. Há uma sequência maravilhosa, de aproximadamente sete minutos, em que a câmera passeia pelo meio de um conflito, entrando dentro de um ônibus e um prédio (e com sangue espirrando na lente), mostrando toda a qualidade do filme em todos os departamentos. Aliado ao diretor, temos o excelente trabalho do diretor de fotografia Emmanuel Lubezki, que mostra uma Londres sempre cinza, retratando um futuro que nos faz apenas torcer para que não cheguemos a 2027 com o mundo nessas condições.

O roteiro, escrito por 5 pessoas, consegue construir bons personagens, ao mesmo tempo que cumpre o papel da boa ficção científica, que é focar no comportamento humano perante as adversidades. Nessa linha, vemos questionamentos filosóficos, que nos fazem imaginar se até mesmo na situação mostrada durante o longa o ser humano continua destruindo o mundo bem como uns aos outros em diversas guerras. Outros filmes já trataram o assunto de forma parecida, como, por exemplo, É Proibido Procriar (ZPG, 1975), mas nenhum teve um roteiro e direção tão bem executados.

 Filhos da Esperança é um filme que certamente resistirá ao teste do tempo. A única falha do filme é a sua duração, pois o mundo construído nele é tão belo à sua maneira que nos faz querer ficar nele por mais tempo. E apesar de ele ter sido ignorado em algumas premiações - como o Oscar, onde conseguiu apenas três indicações -, tenho absoluta certeza que daqui 30 anos esse filme ainda será bastante lembrado - isso se a humanidade não tiver o mesmo destino retratado nele.

3 comentários:

  1. O filme parecia um pouco triste, mas com uma história que faz minha pele, especialmente porque, em alguns países europeus, o nascimento de crianças está diminuindo por isso não podemos negar que este fato é visto no filme pode chegar até nós o papel de Clive Owen me senti muito bem e, embora eu tivesse tempo sem ver um trabalho decente, agora começou a série The Knick que está fazendo o trabalho de envelope muito extrovertido.

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  2. É um dos filmes favoritos por causa da temática. E um dos filmes que mais admiro pela construção de universo. É impressionante como somos capturados para a Londres de Theo. E como somos capturados sem ninguém nos contar a história realmente.



    SPOOOOILLERRR





    Por mim, eu acho que as mulheres pararam de ter bebês por causa da poluição. Durante o filme todo o mundo é retratado como um lixo a céu aberto, tanto na capital como no interior, o verde da grama e das árvores contrasta com o esgoto a céu aberto na abertura da cena da morte de Julian.

    Eu também gostei de reparar como o filme parece retratar as consequências de uma guerra fria mais acalorada. Na cidade-presídio a quantidade de países revolucionários, franceses, servos e eslavos, árabes, escoceses, todos os povos revolucionários estão devidamente encarcerados.


    Eu sei que o post ficou meio confuso mas eu queria encerra-lo falando que esse filme foi baseado em um livro:
    http://en.wikipedia.org/wiki/The_Children_of_Men

    Que pela descrição parece ser ainda mais pesado.
    Fiquei com muita vontade de ler

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    Respostas
    1. Eu até tentei ler o livro, mas na época estava bastante ocupado e não consegui prosseguir. Bom, se aquela velha máxima de que o livro é sempre melhor que o filme for verdade aqui, certamente Children Of Men é um dos melhores livros que existem.

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