quarta-feira, 1 de maio de 2013

Análise: Angst (1983)

Direção: Gerald Kargl
Roteiro: Gerald Kargl, Zbigniew Rybczynski
Elenco: Erwin Leder, Silvia Rabenreither, Edith Rosset, Rudolf Götz
Duração: 83 minutos 
Gênero: Drama / Terror
País: Áustria
Idioma: Alemão
Resumo: Após passar quatro anos na cadeia por assassinato, um psicopata é solto e começa a ser dominado pela vontade de matar novamente

Poucos filmes conseguem me perturbar a ponto de me fazer perder o sono. Um que me marcou bastante nesse sentido foi o colombiano PVC-1 (2007), sobre uma mulher que é obrigada a utilizar uma "coleira" de PVC contendo uma bomba. Angst é outro que entra nessa lista, sendo uma das obras mais perturbadoras ao mostrar o que se passa dentro da mente de um assassino.

O filme se inicia logo após o personagem sair da prisão, tendo sido preso diversas vezes ao longo da vida e, nas palavras dele "Ter passado mais tempo preso do que solto". O roteiro do filme (do próprio Kargl e de Zbigniew Rybczynski) arrisca algo interessante, que consiste em quase todas as falas pertencerem ao assassino, com monólogos que contam sobre sua infância, mostrando como brotou nele o desejo de matar. E também se torna interessante ver como o personagem trata a sua psicopatia, sabendo que mesmo que consiga pensar em alguma coisa diferente por algum tempo, a vontade de matar voltará. Apesar de ele saber que as atitudes são erradas, ele não consegue evitá-las, pois a vontade de sentir sua faca atravessando a carne de uma pessoa é mais prazerosa do que qualquer outra coisa para ele. Nesse sentido, é interessante como ele trata seus assassinatos com um viés romântico, chegando a dizer em certo ponto que esperava que a morte fosse mais dramática.


Outra característica que faz esta obra ser inesquecível é a fotografia insana A câmera é utilizada tentando nos colocar dentro da cabeça do assassino, de modo que quando ele passa por alguma situação complicada, a câmera treme e parece tão desorientada quanto o personagem. Há ainda tomadas inacreditáveis, em que a câmera começa a 20 metros de altura e sai viajando pelos céus da cidade junto ao personagem ou faz o caminho contrário, lembrando em muitas partes o filme Irreversível (Irréversible, 2002) de Gaspar Noé. A atmosfera criada por esse elemento consegue nos transportar tão bem para dentro do filme que até uma cena em que um personagem está comendo uma linguça consegue ser perturbadora. Junto a essa viagem visual, temos a trilha sonora estupenda de Klaus Schulze que, misturando batidas techno com toques mais sombrios, consegue criar a aura necessária para fazer com que Angst se torne quase um sonho lúcido.


Quem assiste ao filme pode reclamar de muitas coisas, como a lentidão da história, o número reduzido de diálogos, o excesso de violência. Mas independente dos defeitos que alguém possa encontrar, é difícil não ficar com o filme na cabeça após algum tempo, ainda mais por saber que existem tantas pessoas no mundo que se comportam como o psicopata do filme, matando apenas por simples prazer. Infelizmente, este trabalho, realizado em 1983, é o unico da carreira de Gerald Kargl. Segundo algumas informações que encontrei pela internet , o diretor ficou praticamente sem dinheiro após ver o seu filme ser banido em diversos países e não conseguir distribuição, por ser considerado muito violento e até pornográfico.

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