sexta-feira, 3 de maio de 2013

Análise: Terror nas Trevas (...E Tu Vivrai Nel Terrore! L'Aldilà, 1981)


Direção: Lucio Fulci
Roteiro: Dardano Sacchetti, Giorgio Mariuzzo, Lucio Fulci
Elenco: Catriona MacCall, David Warbeck, Cinzia Monreale, Veronica Lazar, Gianpaolo Saccarola
Duração: 87 minutos
Gênero: Terror
Países: Itália
Idioma: Inglês
Resumo: Uma mulher herda um hotel e acaba descobrindo que ele foi construído sobre uma das entradas do inferno



Quando uma pessoa resolve assistir a um filme de terror, ela deve estar preparada para encarar certas coisas que são totalmente avessas à realidade. Assim, não é possível que um cidadão em sã consciência assista, por exemplo, Halloween VI (Halloween: The Curse Of Michael Myers, 1995) e reclame que o filme é ruim porque o Michael Myers ressuscitou mais uma vez, mesmo depois de ser queimado, decapitado, profanado e enterrado. Assim, pelo menos para mim, a experiência de aproveitar tudo que Terror nas Trevas tinha para me oferecer dependia muito do quanto eu estava inclinado a esquecer a realidade. O grande problema é que nem assim fiquei imune à irritação causada por alguns problemas que o filme apresentou.




A trama segue Liza (Catriona MacColl) que, após herdar um hotel, passa a vivenciar momentos bizarros dentro dele. Um prólogo mostra que o hotel é um lugar amaldiçoado possuindo um portal que leva a uma das sete portas do inferno. Assim, coisas malditas acontecem com as pessoas que estão trabalhando no lugar, como o encanador que é morto logo no início, ou o pedreiro que vê uma menina com olhos brancos e cai do segundo andar. Isso faz com que a obra se torne até interessante, mas o roteiro é tão ruim, mas tão ruim, que é impossível não se sentir incomodado em alguns momentos.


Temos por exemplo, uma cena em que Liza está conversando com um amigo, o doutor John McCabe (David Warbeck) e reclama que os empregados do hotel estão mais atrapalhando do que ajudando. Ele fala para ela despedi-los e ela diz: “Não posso, eles vieram com o hotel!”. Há ainda outras coisas dignas de nota, como a mulher que entra no necrotério sem autorização nenhuma, começa a colocar a roupa no marido e do nada dá um grito e é encontrada pela filha derretendo como um sorvete. Os diálogos, como era de se esperar, são quase todos no nível do exposto acima, e a dublagem feita na pós-produção não ajuda nem um pouco, soando muito superficial em quase todas as cenas.


No entanto, Terror nas Trevas não é uma perda de tempo total, graças a alguns elementos muito bem cuidados, entre eles a maquiagem e efeitos especiais, que são recheados com o mais belo gore, incluindo uma quantidade enorme de sangue sendo espalhado por todos os cantos. Essa característica, inclusive, fez com que o filme recebesse uma classificação indicativa de 18 anos para quase todos os países em que foi lançado. Outro ponto a ser destacado é o final do filme, composto de belas cenas mostrando as entradas do inferno, por mais contraditório que isso possa parecer. 


Colocando tudo na balança, mesmo com todos os problemas que o filme mostra, é possível se divertir, principalmente porque as cenas que se passam dentro do hotel são tão “estranhas” que quase adquirem a aura hipnótica de um sonho. Mas creio que seja necessário ter algum amor por filmes de terror para que Terror Nas Trevas passe por você sem incomodar.

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